Vivemos a era digital. Em todos os momentos do nosso despertar até o nosso repouso diário estamos imersos, mesmo que indiretamente, em números, chips, controles e certificações.

Nosso país evoluiu. Apesar de muitas opiniões contrárias ou favoráveis, as privatizações auxiliaram o Brasil em permitir que as facilidades diárias chegassem a muitos consumidores que antes dela não poderiam nem sonhar em adquirir o novo. Um bom exemplo disso são as linhas telefônicas. Sou nascida na década dos anos 80 e desde que me lembro, meus pais possuíam telefone em casa. Conversando com minha mãe, ela me contou que quando comprou a linha era um preço absurdo. Ela, como professora estadual, disse-me que precisou guardar todo o décimo terceiro daquele ano e mais uma licença prêmio para conseguir comprá-la. Além disso, havia uma fila de espera grandiosa para que disponibilizassem o uso do telefone.

Hoje, é só ligarmos para a operadora de nossa escolha, ou aquela que temos cobertura na cidade domiciliada, solicitar a ligação e em um prazo curto de dias temos nossa linha. Poderíamos citar ainda vários exemplos, como os pedágios, as companhias de energia, enfim, todos os setores que passaram por esta transformação e que com os seus prós e contras influenciam na qualidade e facilidade da vida diária.

Como muitos sabem, sou contadora de formação e nesse cenário tecnológico, nossa área é agraciada pela velocidade que as informações transitam em nosso meio. A internet nos possibilitou a abastecer o Fisco com informações originadas diretamente do nosso ambiente empresarial. Antes, era necessário gravar tudo em um disquete e posteriormente num CD e se deslocar até o sítio da Receita Federal para cumprir com nossas obrigações. Ainda, como as leis alteram-se constantemente, conseguimos consultar e visualizar diariamente o que foi modificado, sem precisar recorrer ao famoso “Diário Oficial”.

Também como mero exemplo, para constituir uma empresa as facilidades são inúmeras. É possível efetuar a reserva o Nome Empresarial pela Junta Comercial através do site da mesma , em paralelo, a Receita Federal permite, quando possui convênio, a inscrição do CNPJ. Quando a Junta aprovar o nome reservado, leva-se todo o processo, e quando a Junta aprovar a constituição, já obtém o NIRE – Número de Identificação do Registro Empresarial (Junta Comercial) e o CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (Receita Federal). Além dessas facilidades, ainda é possível acompanhar tudo pela internet o que está acontecendo com o seu processo, e se, nenhuma inconsistência for encontrada no seu pedido, você precisará ir até a Junta Comercial apenas para levar os documentos solicitados para a constituição e para buscar a aprovação da empresa constituída.

Adentrando um pouco no desenvolvimento pessoal, possuímos em nossa atualidade o ensino à distância online. Essa ferramenta está ajudando muito as empresas a reduzirem seus custos com treinamentos presenciais e ainda melhorando o envio e a compreensão das informações que os colaboradores e corpo diretivo devem conhecer.

Visualize uma empresa com várias filiais distribuídas por todo o País e pelo mundo. Conseguir treinar todos os colaboradores é uma árdua e complicada tarefa. Não pensemos apenas no custo de deslocamento, mas e o distanciamento do profissional que precisará treinar ou ser treinado, que deverá sair de sua sede original, será que também não impactará no seu desempenho futuro ou na empresa pela ausência do mesmo?

Muitos profissionais e intelectuais são contrários a esse tipo de modalidade de ensino, pois entendem que nada substitui a pessoa que ensina. Percebam que redijo acima “modalidade” e não “tipo” de ensino. Entretanto, particularmente entendo que esta resistência pode ser originária de alguma primeira experiência desastrosa com o ensino à distância, ou por uma resistência natural ao que é novo.
Gostaria que percebesse que o EAD é uma facilidade para aquelas pessoas que, devido às demasiadas tarefas e compromissos diários, não conseguem freqüentar palestras, treinamentos presenciais e academias. Também é muito importante salientar, que para o devido e esperado aprendizado, o conteúdo que será desenvolvido deve ser conciliável com o ensino à distância, ou seja, não pensem que tudo pode ser trabalhado via EAD e que a empresa ou a pessoa que deseje capacitar-se possa excluir de seu meio os treinamentos e capacitações presenciais.

Para exemplificar a afirmação acima, pensemos em um Exame para Carteira de Motorista. As aulas e a prova teórica poderiam ser realizadas à distância, contudo o Exame Psicotécnico, Médico e Prático, nem com os melhores simuladores virtuais existentes ou criáveis substituiriam os exames presencias. Como poderiam os examinadores avaliar se a pessoa tem condições ou não de dirigir, sem que esta dirija um veículo pelas ruas de nossas cidades? Conseguem entender o cuidado e a atenção que deve se ter ao realizar ou desenvolver um treinamento EAD?

Novamente referindo-me a minha área, a Receita Federal há muito tempo já desenvolve o ensino à distância, mesmo sem percebermos. Quando precisamos fazer uma declaração e não sabemos como, a RFB possui um manual de ajuda que vai explicando como fazer cada passo. Quem teve a oportunidade de acessar o Sítio da Receita nos últimos meses, observou que para ajudar os contribuintes com o REFIS da Crise, até vídeo-aula o Fisco desenvolveu.

Todavia, em todas as áreas poderíamos citar exemplos de como o EAD tem auxiliado no desenvolvimento e na facilidade da obtenção de informações para as pessoas. É claro que, existem muitas empresas e profissionais que por despreparo ou desconhecimento, acabam prejudicando essa modalidade de ensino por não ofertar um treinamento ou capacitação de qualidade ou compatível. Digo isso, pois particularmente já realizei alguns treinamentos em que o curso era desenvolvido da seguinte forma: havia a matrícula, a apostila em PDF e a prova final, ou alguns até sem a prova final. Isto esta longe de ser um EAD, e sim, é apenas uma compra de apostila sobre determinado assunto.

O Ensino à Distância deve ter tutores que lhe acompanhem e respondam suas dúvidas (mesmo que por e-mail), um chat com horários disponíveis, conteúdo desenvolvido para o aprendizado de adultos (andragogia) e não de crianças e adolescentes (pedagogia), temas compatíveis com a modalidade de ensino à distância, entre outros fatores importantíssimos que devem ser estudados e analisados antes da criação e da realização do curso.

É importante frisar, mesmo que se torne repetitivo, que o EAD jamais vai excluir o ensino presencial. Ele vai auxiliar e facilitar os profissionais a se desenvolveram, mas não vai acabar com a figura humana que instrui.

Todas as mudanças em nossa vida geram um desconforto imediato e momentâneo, mas após o contato e o vislumbre das beneficies adquiridas, passamos a nos indagar o porquê não procuramos conhecer antes. Faz-se necessário salientar, que quando você, ou sua empresa, optar por esse ensino, certifique-se da qualidade dos serviços contratados, busque referências sobre quem está lhe vendendo e como atua esse profissional ou instituição no mercado. Para o meio empresarial, é indispensável que possua um programa de treinamentos e um departamento consciente e comprometido com a modalidade. Do contrário, facilmente o projeto cairá no descrédito e no insucesso, mas não por culpa do EAD, mas dos envolvidos que não entenderam ou não se prepararam para esta ferramenta.

Um último dado sobre o EAD para encerrar esta argumentação: o Ensino à Distância, nas suas mais diferentes formas, existe desde 1840, sendo que no Brasil teve início em 1939. Ressalto esse fato por ser convicta em afirmar que não é uma moda nova, mas uma modalidade que se desenvolvida de uma maneira correta e eficiente, resultará em ganhos vindouros e muito positivos para os envolvidos em toda a cadeia, desde a produção do conteúdo até o conhecimento adquirido.

Deixo como reflexão a frase de Charles Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças ”.

Pense nisso e não crie pré-conceitos sobre os temas que envolvem nosso cotidiano.