Vinicius Gorczeski

Especial para o Diário

A quantidade de impostos nos produtos vendidos no Brasil, especialmente os importados, faz com que aqui se pague por um eletrônico, como o PlayStation 3, 333% mais do que nos Estados Unidos. Com isso, o consumidor do País desembolsa pelo item R$ 2.099, em média, contra os R$ 455,86 (US$ 299,99) cobrados nos Estados Unidos pelo mesmo console. É o que aponta levantamento recente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. O valor leva em consideração o último fechamento do dólar, na sexta-feira, em R$ 1,61.

Itens do vestuário também abocanham as economias dos brasileiros. Jeans estrangeiro custa R$ 259 nas lojas; valor 282% maior do que em terras norte-americanas. Lá sai por R$ 67,80 (US$ 42). Perfumes e tênis também contam com tributação bem diferente – 78,43% e 58,59%, respectivamente. (veja arte acima).

Nos estados americanos, os tributos são estabelecidos por tipo de produto, por meio do IVA (Imposto sobre Valores Agregados), taxa única que varia conforme a região. Miami, que conta com artigos que enchem os olhos dos consumidores, tem alíquota fixada de 6%. Já no Brasil, são no mínimo cinco – Imposto sobre Produtos Industrializados, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, PIS/Cofins e Imposto de Importação, multiplicando os preços do item.

SUPÉRFLUOS – O presidente do IBPT, João Eloi Olenike, explica que o IPI e o ICMS têm as duas principais alíquotas e são fontes de recursos, dos governos federal e estadual, respectivamente.

Ambas são as que mais pesam no bolso do consumidor. “Esses produtos são considerados supérfluos, não necessários para a população. Existe o princípio constitucional da seletividade. Quando se aplicam as alíquotas, quanto menos essencial ele for, maior será o imposto e vice-versa”, explica.

O que já não acontece na importação de alimentos e materiais de educação, considerados mais essenciais. “É por isso que joias, hiates, carros de luxo e perfumes têm taxas bem altas, em torno de 70%”, diz.

Além da mesma forma de graduação das taxas, o economista chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, defende outro pilar para igualar impostos cobrados tanto lá quanto aqui. Para ele é indispensável a mudança na tributação do Imposto de Renda, para que sejam cobradas alíquotas sobre o patrimônio acumulado. “A diferença é que a tributação nos Estados Unidos é proporcionalmente maior para quem ganha mais. Nosso sistema tributário é muito calcado no consumo”, avalia Solimeo.

Já Olenike diz que por simples decreto o governo poderia abater ou mesmo zerar o vilão das taxas, o IPI – assim como ocorreu durante a crise de 2009. Mas, hoje, o cenário não deve se repetir. Tudo porque a inflação está acima do centro da meta do governo, de 6,5% ao ano, o que mantém abismo entre os preços.

Fonte: DGABC

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