A informática apenas substituiu o processo antigo, feito à mão, conferindo a ele maior agilidade

Roberto Dias Duarte *

Tecnologia e conhecimento são a chave para a inclusão empreendedora de milhões de brasileiros. Esta assertiva reflete um processo cada vez mais comum no mundo corporativo nacional, ainda que esteja bem longe do ideal, já que uma parcela bastante considerável das empresas está tecnologicamente obsoleta.

Elas precisam atuar na busca sustentável pelo conhecimento e no uso das novas tecnologias. Ou seja, cada minuto e centavo investidos em capacitação devem ter aplicabilidade imediata, gerando valor ou reduzindo custos.

Nesse sentido, a instituição do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), em atraso sistemático pelas empresas para sua adaptação, mostra o quanto ainda precisamos evoluir, tanto em capacidade quanto em mentalidade.

“A informática apenas substituiu o processo antigo, feito à mão, conferindo a ele maior agilidade”. Esta frase, que se tornou célebre no setor de ERP –Enterprise Resource Planning, reflete com exatidão a realidade do mercado no Brasil.

Ao contrário do fisco, que provocou “A Revolução da Informação”, obtendo um salto de eficiência, as empresas brasileiras continuam considerando a TI como ferramenta de aumento de produtividade individual.

Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (2009), a Totvs lidera a área de software para gestão empresarial no País, com 39% deste mercado, seguida por SAP (23%) e Oracle (18%).

Em um estudo mais recente, intitulado “Latin America Semiannual ERM Tracker 1H10”, disponibilizado pela International Data Corporation (IDC), de 2010, a Totvs atingiu 45,3% de participação do mercado total do Brasil (incluindo micro, pequenas, médias, grandes empresas, governo e educação), mantendo-se 14,4% à frente do segundo colocado.

A empresa líder no mercado de ERP’s declara ter 25,2 mil clientes ativos, uma marca fantástica para um player da área de TI, contudo insignificante se comparada à quantidade de empresas brasileiras, ou seja: 3,6 milhões no Simples Nacional, 870 mil no Lucro Presumido, 150 mil enquadradas no Lucro Real e menos de 10 mil em acompanhamento diferenciado da RFB (grandes contribuintes).

Todas elas já estão ou estarão, em breve, inseridas no gigantesco B2G chamado SPED. E pensar que todos os fornecedores de ERP juntos atendem a menos de 1% desse contingente.

No entanto, percebe-se no Brasil a tendência clara, porém lenta ainda, de implantação de ERP’s nas pequenas empresas. A mineira Mastermaq, por exemplo, teve suas raízes no fornecimento de aplicativos para escritórios contábeis, segmento no qual atingiria a liderança.

Mas, com o aumento da demanda por sistemas de gestão com maior robustez contábil e fiscal, a composição de sua carteira tem se modificado. Basicamente formada por contadores no início, em pouco mais de uma década cerca da metade dos seus 44 mil clientes passaria a ter perfil empresarial.

As empresas brasileiras, como nos exemplos citados anteriormente, não poderão mais prorrogar a utilização de ferramentas tão importantes e fundamentais como essas, a fim de continuar atuando em um mercado cada vez mais competitivo.

*Roberto Dias Duarte é autor do livro Big Brother Fiscal, a primeira publicação sobre SPED do Brasil. Diretor Acadêmico da Escola de Negócios Contábeis – ENC, Dias Duarte mantém um blog sobre o tema desde 2007.

Fonte: Incorporativa