Contabilidade X Administração Financeira

É muito comum ouvirmos a afirmação: “a contabilidade não é útil porque só traz fatos passados e serve apenas para atender a fiscalização”.

Será mesmo que a contabilidade serve apenas para atender ao Fisco?

Não! E este mito faz com que muitas empresas deixem de se utilizar desta valiosa ferramenta, na gestão do seu negócio.

A administração financeira está estritamente ligada à Economia e Contabilidade, e pode ser vista como uma forma de Economia aplicada, que se baseia amplamente em conceitos econômicos, como também em dados contábeis para suas análises.

A função contábil é um insumo indispensável à Administração Financeira e a diferença básica de perspectiva entre a Administração Financeira e a Contabilidade é que, enquanto a primeira enfatiza a Tomada de Decisão, a segunda tem como objetivo o Tratamento dos Fundos.

– Tratamento dos Fundos – “A função básica do Contador é desenvolver e fornecer dados para avaliar o desempenho da empresa, apurar sua situação financeira, bem como atender às exigências legais e tributárias. Neste sentido, são elaboradas normas e princípios padronizados de atuação (princípios contábeis aceitos) que determinam o método contábil, e dos quais o Contador não pode desviar. O Regime de Competência determina que as receitas devem ser reconhecidas por ocasião da venda e as despesas somente quando incorridas.”

– Tomada de Decisão – “O Administrador de Empresas preocupa-se em manter a solvência da empresa e tem toda a flexibilidade para trabalhar as informações da forma que melhor lhe convier, sem se preocupar com normas contábeis. Assim, interessa-lhe receitas e despesas quando estas representam entradas e saídas de Caixa. O Regime de Caixa, é pois a base para a tomada de decisão do administrador financeiro.”

Dados necessários para uma boa Gestão

Para boa gestão das MPE’s há necessidade, além dos controles internos de contas a receber, contas a pagar, bancos, caixa, receitas e despesas, de uma adequada formação do preço de venda, da apuração de resultados periódicos corretamente, do acompanhamento da rentabilidade, da administração do caixa e da análise desses resultados voltada para o diagnóstico financeiro, de forma que possibilite a visão pelo Proprietário ou Sócios da empresa da sua performance econômica-financeira.

Algumas informações relacionadas a estas análises só podem ser obtidas da contabilidade, onde estão incluídos todos os custos, inclusive aqueles que não aparecem em relatórios eminentemente financeiros.

Como exemplo, pode-se citar a depreciação dos bens; as provisões das obrigações e encargos sociais, etc.

Estes valores fazem parte do custo da empresa, inclusive para compor o preço de venda, que pode estar sendo calculado de forma equivocada ou incompleta.

Controles de Custos e acompanhamento Financeiro

a) Investimento Fixo

É aquele destinado aos bens necessários para a empresa operar. Por exemplo:

– imóveis e instalações;

– máquinas e equipamentos;

– móveis e utensílios;

– veículos.

b) Custo dos Recursos Humanos

O elemento humano é de fundamental importância para a empresa. Assim, os problemas de administração dos recursos humanos (recrutamento, seleção, salários, preparação para o trabalho, etc.) podem invalidar o sucesso do empreendimento.

Para calcular o custo da mão-de-obra é necessário:

– quantificar o número de pessoas necessárias por área de trabalho;

– estimar os salários mensais (levar em conta os salários de mercado);

– calcular os encargos sociais que incidem sobre os salários.

c) Estimativa de custos

Custos Fixos

São aqueles que ocorrem, independentemente da produção ou das vendas. Os custos fixos são chamados também de custos administrativos e podem ser: pró-labore, honorários do contador, salários e encargos de pessoal administrativo, depreciação, aluguéis, água e telefone, etc.

Custos Variáveis

São aqueles que variam proporcionalmente ao volume de produção e vendas. Por exemplo, custos com matéria -prima, com materiais secundários, com embalagens, com comissões sobre as vendas, com os fretes, com os impostos. Deste modo, quando a produção aumenta, estes custos também aumentam e, quando a produção diminui, os custos caem.

Apuração de Resultados

É importante ressaltar que o Resultado Financeiro não representa o lucro ou o prejuízo da empresa.

O resultado Operacional ou Patrimonial é aquele que apresenta o efetivo resultado, Positivo ou Negativo, do negócio, e este, somente, será obtido após a apuração de todas as receitas, suas inclusões e exclusões, os custos fixos e variáveis (inclusive aqueles que não aparecem nas ferramentas financeiras).

Este resultado será obtido após a apuração da contabilidade, através de relatórios, como a Demonstração de Resultados e o Balanço Patrimonial.

Um bom exemplo da importância da Contabilidade, sem nos aprofundarmos nos aspectos financeiros, é o cálculo do Capital do Capital de Giro.

Este é obtido pela fórmula:

Ativo Circulante (-) Passivo Circulante

Estes conceitos são contábeis e o empresário deve conhecer a sua base, para uma boa análise financeira.

ATIVO CIRCULANTE

. Estoques

. Adiantamento aos fornecedores

. Duplicatas a receber

. Outros títulos a receber

. Créditos de impostos

. Outras contas a receber

PASSIVO CIRCULANTE

. Adiantamento de clientes

. Fornecedores

. Impostos a pagar

. Outras contas a pagar

Além deste exemplo básico do cálculo do Capital de Giro, muitas outras informações, para uma boa gestão do negócio, são retiradas da Contabilidade.

Para isso, primeiro temos que desmistificar o conceito de que a “contabilidade é um mal necessário”. Depois deve-se conhecer um pouquinho desta ferramenta, não para executá-la, porque este é PAPEL DO CONTADOR, mas para poder se utilizar como ferramenta de gestão.

Feito isso, basta usufruir de todas as vantagens que esta ciência – A CONTABILIDADE – oferece às empresas, inclusive para as Micro e Pequenas Empresas.

Fonte: Portal Sebrae-PR