Valeska Schwanke Fontana[1]

Nos últimos anos, quase que diariamente, escutamos e lemos que o mundo está mudando e que várias áreas estão forjando novos profissionais ou adequando os que existem para um novo modelo de atuação. Dentre várias áreas, a contabilidade, ou melhor, as Ciências Contábeis, é quem reflete uma transformação rápida e porque não dizer, quase que imposta pela sociedade e pelos órgãos reguladores da profissão do contador. Ser esse profissional ideal que o nosso meio social exige, é um desafio constante e diário para os que se habilitam a cientistas das histórias e das vidas daqueles empreendedores que foram além e se aventuraram no mundo dos negócios. Justamente por essa grande mudança e evolução é que a pessoa do contador está deixando seu testamento e em seu lugar, timidamente, está nascendo o controlador contábil.

Fazendo um retrospecto de nossa atuação, descobrimos que em cada período histórico o contador, guarda-livros, ou tantos outros nomes que já atribuíram para nossa profissão, ora foram odiados, ora foram amados. Esse é um paradoxo que está costurado na metamorfose de nossa escolha e dependendo da cultura empresarial, da sociedade ou de nossos princípios e atitudes, escolheremos seguir um dos caminhados já traçados conceitualmente. Exemplificando, quando Jesus Cristo andou por esse chão, chamavam-nos de escribas[2] ou coletores de impostos. Esses homens eram odiados por toda a sociedade, pois eles eram os responsáveis em cobrar o tributo das pessoas e repassar aos cofres do Imperador. Como a maioria do povo era analfabeto e miserável, então muitos escribas acabavam cobrando mais impostos do que realmente era devido e por isso eram odiados por toda a sociedade. Ainda, os contadores foram alvo de grandes desconfortos, como foi o caso famoso de Al Capone, onde o contador foi preso com o chefão da Máfia Italiana.

Entretanto, como as fatalidades não podem durar para sempre, tivemos e temos nossos tempos de glória. Nos Estados Unidos, a profissão do contador é uma das mais bem pagas, pois os empresários e investidores americanos sabem que a pessoa que entende da vida da empresa é o contador e por isso ele deve ser muito bem reconhecido para ter condições de desenvolver seu trabalho da melhor forma possível. Ainda, com essa nova visão, em grande parte, oriunda da IFRS – Normas Internacionais de Contabilidade, o mercado abriu novamente seu espaço para o contador. Porém, exigiu qualificação, treinamento e resiliência do mesmo e isso fez com que começasse uma nova era dentro da profissão contábil, a do contador gestor ou do contador controlador.

Neste artigo, vou ter o atrevimento de conceituar esses dois profissionais. Digo que me atrevo, pois são conceitos unicamente fundamentados em minhas leituras e em minhas atividades diárias.

Vejo como contador gestor aquele que está envolvido em determinado processo da arte contábil. Ele pode ser o responsável pelo setor contábil da empresa e está intimamente ligado em buscar as melhores práticas e resultados para seu setor. Por exemplo, o gestor percebe que o valor que a conta contábil clientes inadimplentes está acima do histórico da empresa e vai solicitar para o responsável pelo financeiro o motivo do aumento, isto é, ele não se envolve além do seu limite de poder permitido. É um profissional reativo, age quando há um problema ou quando vê uma oportunidade de melhoria.

Já o contador controlador está imerso em todos os setores da organização. Sua observação e competência estão acima de qualquer organograma empresarial. Ele pensa no todo, tudo para ele tem haver com sua atuação. Quando ele percebe que há um aumento na inadimplência já traça ações para diminuí-la e busca os resultados das ações que delimitou. Este profissional é extremamente proativo, sempre está agindo, independente do restante da organização. Ele deve conhecer e muito do meio em que está inserido e estar em constante evolução e aprendizado.

Nesse momento você pode estar se questionando, e então qual é o melhor e o que vai permanecer? É uma questão muito difícil e até acredito que não exista uma resposta para tal pergunta. Cada empresa tem um perfil e conforme esse perfil vai contratar aquele que mais se adequar a sua realidade. Vamos imaginar uma empresa extremamente conservadora, será difícil que um profissional que esteja sempre buscando melhorar o que está consolidado seja aceito na organização, então aconselharia neste caso um contador gestor. Agora, uma empresa que busca um diferencial competitivo, está sempre desenvolvendo novidades, que pensa em planejamento estratégico, melhores formas de atender seus climas, tem uma visão de negócio bem definida, vai preferir uma pessoa que seja extremamente proativa. Espaço para profissionais qualificados existe e com muitas vagas disponíveis, só que precisamos colocar as pessoas certas nos lugares certos e nos candidatarmos para essas vagas certas também.

Você, decidindo por ser um contador gestor ou um contador controlador, agarre-se nessa decisão e se qualifique. Seja o melhor naquilo que amas fazer ou naquilo que sentir ser sua vocação. Não desista, estude, prepare-se, siga seu caminho e se sentir-se derrotado lembre-se do que diz John Quincy Adams: “a paciência e a perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecem e os obstáculos sumirem”. Portanto, siga em frente e realize-se.


[1] FONTANA, Valeska Schwanke. Empresária, Diretora Adm/Financeira da Conducere Desenvolvimento Corporativo, Contadora, Auditora e Perita Contábil, Graduanda em Direito.

[2] Nota da Autora: Escriba eram as pessoas letradas que exerciam alguma função que envolvesse a escrita. Podiam redigir as leis, fazer a escrituração, enfim, aquilo que seu senhor  ou o governo os solicitasse.