A Justiça do Trabalho do Estado de Goiás está colaborando de forma decisiva para a solução do processo trabalhista dos aeroviários contra a VASP, empresa aérea que teve decretada a falência pelo Judiciário do Estado de São Paulo.

Dois oficiais de justiça do TRT goiano, Divino Caetano e Marcelo Mendes, estão na região de São Miguel do Araguaia, norte do Estado, cumprindo mandado de conferência e entrega de  bens da Fazenda Piratininga, que pertenceu ao empresário Wagner Canhedo, ex-controlador da VASP, e que foi vendida por R$ 310 milhões, no final de dezembro, em leilão promovido pela 14ª Vara do Trabalho de São Paulo.

Os dois oficiais de justiça estão na fazenda desde o início do mês de janeiro e esperam concluir todo o serviço de entrega de bens aos arrematantes no prazo de seis meses.

Eles cumprem carta precatória expedida pela juíza Elisa Maria Secco Andreoni, titular da vara do trabalho paulista, para Vara do Trabalho de Porangatu, que tem a jurisdição sobre a região onde se encontra a fazenda.

Os arrematantes, MCLG Administração e Participações Ltda e Marcelo Henrique Linírio Gonçalves, contrataram 70 vaqueiros para ajudar na contagem e remarcação do rebanho bovino.

São cerca de 87 mil cabeças de gado, sendo 69 mil rezes adultas e outros 18 mil bezerros ainda em idade de amamentação. A manada ainda é composta por uma tropa de 422 burros e mulas e 49 cavalos. Também serão entregues cerca de 200 maquinários, entre implementos agrícolas, retroescavadeiras, pás mecânicas, ônibus, caminhonetas e caminhões.

Ao relatarem as dificuldades operacionais do cumprimento do mandado, os dois oficiais de justiça contam que começam a trabalhar as seis horas da manhã e só finalizam no começo da noite. A propriedade possui quase 28 mil alqueires e está dividida em 22 subsedes, chamadas de retiros, alguns distantes mais de 30 quilômetros da sede principal. O manejo do gado exige muito trato e cuidado. Muitos reses estão em área de mata fechada ou de pântano, e mesmo sendo um animal mais bravo é preciso recolhê-lo para a contagem e a remarcação. “Os autos de entrega dos bens são preenchidos à mão, no próprio curral”, explicou Divino Caetano, que é o diretor do Setor de Mandados do TRT goiano.

Ele conta que toda a terra da fazenda já foi conferida e entregue ao novo proprietário. O imóvel rural, além dos 22 retiros, possui uma sede com galpões, casas para funcionários, escola, estádio de futebol, pista de pouso e hangar para estacionar aeronaves, bem como uma casa ampla e moderna que servia ao ex-proprietário Wagner Canhedo. A fazenda é servida por uma malha viária impressionante. São estradas de cascalho bem cuidadas e grandes viadutos de concreto feitos nos pontos em que há cruzamentos das pistas, estrutura de fazer inveja a muitos municípios e que era utilizada somente pelos caminhões de transporte de gado e equipamentos da fazenda.

Os valores da venda da Piratininga serão revertidos em pagamentos aos cerca de oito mil trabalhadores da companhia aérea, que teve sua falência decretada em 2008. A dívida com os exfuncionários da VASP está em torno de R$ 1 bilhão.

Fonte: TRT-GO